Textos

TEXTO PUBLICADO NA REVISTA PSICOLOGIA, DA EDITORA MYTHOS NÚMERO 40 EM MAIO 2017.
MARIÂNGELA DE PAIVA OLIVEIRA GONÇALVES
BodyTalk: O corpo fala
Aprendendo a ouvir o seu corpo!
O que é realmente necessário nesta vida? Certamente muitos dirão: é a saúde. Falar dela também é falar de doença e dor. Não importa de que nível se esteja falando: mental, psicológico, físico, emocional ou espiritual. Na verdade, falar de saúde é falar das possibilidades saudáveis e, de doença, de um estado momentâneo do indivíduo -porque ele não é a doença -, assim como também não é falar somente de órgãos e partes do corpo. É disso que este texto trata: de como podemos conservar a nossa saúde e quais os meios de que dispomos para nos ajudar em nossas dores. Decerto que existem muitos caminhos, mas aqui falaremos de BodyTalk, uma Terapia de Medicina Energética criada na década de 90 pelo médico australiano John Velthein.
BodyTalk significa o corpo fala, ou a fala do corpo. O que o nosso corpo pretende nos falar quando estamos nos sentindo bem ou quando não estamos tão bem? Esse é o objetivo dessa terapia: ouvir o que o corpo fala em qualquer circunstância. Ter essa consciência de que o corpo fala, que ele mostra por sinais que existe algo por detrás de nossas sensações físicas ou reações comportamentais é que se amplia não somente a atitude de respeito do terapeuta em ser neutro nesse trabalho, como também, colabora de maneira ímpar com a capacidade da própria pessoa de passar a se ouvir mais a partir da sessão de BodyTalk, e assim, se autoconhecer para mudar comportamentos, por isso, costumo dizer que BodyTalk é um convite para que cada um aprenda fazer um mergulho em si mesmo!
A partir dessas explicações, torna-se mais fácil compreender a filosofia que está embutida na denominação desse sistema de saúde e que permite ampliar nosso olhar para o nosso bem estar. BodyTalk é conhecido como um Sistema Integrativo de Saúde porque insere em seu rico conteúdo teórico e prático vários conhecimentos nesse sistema extremamente moderno e eficiente, o que permite se integrar naturalmente a qualquer tipo de tratamento da medicina tradicional ou alternativa, auxiliando na eficácia dos tratamentos, promovendo uma resposta mais rápida e segura e, assim, acelerando a melhora. É um Sistema Integrativo de Saúde principalmente porque procura ver o ser humano de maneira integral na relação que mantém consigo mesmo, respeitando sua história de vida de reciprocidade com seu ambiente, com as pessoas e com o mundo.
Da medicina tradicional, o BodyTalk integra principalmente os conhecimentos relacionados à fisiologia; da Psicologia Comportamental, a premissa de que nosso comportamento atual se fundamenta nas vivências do passado e pelo que pode vir a acontecer; dos Preceitos Junguianos os conceitos como individuação, animus, anima, inconsciente coletivo, arquétipos, sincronicidade. Da medicina indiana, que agrega conhecimentos ayurvédicos, a filosofia que une a noção de bem-estar e saúde, ou seja, o que nos acontece é fruto da forma como pensamos e do que ingerimos. Conta também com a rica contribuição da medicina chinesa, que tem como base as leis fundamentais que governam o funcionamento do organismo humano (microcosmo) em sua interação com o ambiente segundo os ciclos da natureza (macrocosmo), a polaridade energética yang e yin que se equipara a nossa polaridade cerebral, lógica e intuitiva, e a teoria filosófica de que toda energia e substância estão relacionadas aos cinco elementos: fogo, terra, metal, água e madeira; e na medicina chinesa destaca-se a acupuntura, com a filosofia dos meridianos, canais por onde circulam nossa energia. O BodyTalk se baseia também nos conhecimentos da Osteopatia, que cuida do doente e não da doença porque vê o corpo como uma unidade composta de diferentes partes móveis que funcionam de forma integrada; da Quiropraxia, que trabalha as desordens do sistema neuro-músculo-esquelético com suas causas e consequências biopsicossociais; da Cinesiologia Aplicada, que entende que estados emocionais e psicológicos desequilibram áreas do corpo, como também de uma adaptação do seu método biofeedeback neuromuscular, que auxilia o terapeuta BodyTalk na identificação das prioridades de cada pessoa no momento da sessão.
Todos esses conhecimentos se solidificam, se fortalecem no BodyTalk a partir da visão científica de Albert Einstein, com a máxima de que toda matéria é energia e assim podemos nos reconhecer como sistemas energéticos dinâmicos já que energia e matéria são duas manifestações diferentes da mesma substância universal. Da holística, fazendo-nos encarar a saúde/doença sobre todas as perspectivas do conhecimento humano na relação com o ambiente pessoal e com o universo em geral, entendendo-se assim que a saúde/doença é um estado de equilíbrio/desequilíbrio entre todos os nossos sistemas físicos e sutis em harmonia/desarmonia com o universo. Da Física Quântica, temos a ampliação do conceito de consciência, trazendo-nos a compreensão dos inter-relacionamentos do corpo, da mente e do espírito, como também das leis naturais que regem toda essa manifestação em nosso planeta, fortalecendo assim, o conceito de que somos um microcosmo de um macrocosmo. Desse modo, o terapeuta e aquele que procura a cura poderão perceber que a consciência é uma espécie de energia que se expressa em nossas células, ou seja, existe uma consciência energética que faz com que cada parte de nosso corpo cumpra com sua função. Essa consciência está entrelaçada com a nossa própria consciência sobre quem somos: o que pensamos, como sentimos e expressamos nossos sentimentos em nossos comportamentos, o que contribui de maneira irrefutável com a contínua criação entre a saúde e a doença, trazendo à consciência de que somos, na verdade, cocriadores de nossos estados de saúde ou de doença.
Diante de essa fundamentação baseada em conhecimentos milenares e recentes das mais diversas áreas, aparentemente o BodyTalk pode se apresentar como algo muito complexo. Ao contrário disso, BodyTalk é uma terapia simples, não invasiva, lógica, eficiente e de grande alcance, pois qualquer pessoa de qualquer idade pode receber sessão, inclusive gestantes e bebês pequenos, como também, atende a todos os tipos de problemas de saúde que vão desde um simples resfriado até doenças como câncer, artrite, fibromialgia, artrose, alergias, intolerâncias e intoxicações, contaminação por vírus, bactérias, fungos ou parasitas, processos inflamatórios, disfunções respiratórias, digestivas, endócrinas e do sistema imunológico, fadiga crônica, estresse, insônia etc. Cuida também dos problemas que ainda não se instalaram no físico, mas que já modificam o movimento energético do corpo porque obstruem a natural leveza do Ser.
Que tipos de problemas não físicos seriam esses? São as dores produzidas por pensamentos constantes e exaustivos que nos deixam ansiosos e não nos permitem dormir, são tristezas profundas sem uma causa aparente ou porque ficamos presos no passado, são frustrações diante das expectativas que geramos sobre pessoas ou sobre o futuro, porque queremos que nossos desejos se realizem de imediato, são angústias diante da incapacidade de ver uma perspectiva melhor na vida, são as raivas excessivas por tudo e por todos com mudanças constantes de humor, são medos irracionais de doença, de morrer, de viver e que muitas vezes nos dão a sensação de não pertencermos a nada, nem a ninguém e que nos trazem um grande vazio em nosso coração.
A subdivisão de nossos problemas de saúde em dores/sintomas físicos e não físicos tem o intuito apenas de mostrar o amplo alcance da terapia BodyTalk. Esse sistema se sustenta na premissa quântica de que tudo é energia, que somos um microcosmo de um macrocosmo e, sendo assim, percebemos que tudo se entrelaça, que as questões físicas estão entrelaçadas com nossas emoções, nossos pensamentos e comportamentos.
Para alcançar o objetivo de ouvir o que o corpo fala, o Sistema BodyTalk alicerçou seus procedimentos terapêuticos nos processos naturais que já ocorrem em nosso corpo: o sintoma, a sabedoria inata, a comunicação, a sincronia, a consciência, e o vínculo natural estabelecido entre as partes do corpo a partir da sua própria consciência.
O corpo fala de diversas formas, principalmente pelos sintomas. O foco da terapia BodyTalk não é o sintoma, mas o que está por detrás dele, aquilo que encontra-se latente, escondido! Trabalha com as causas, os motivos pelos quais aquele sintoma insiste em aparecer. Visa assim, a identificação das questões físicas/biológicas em entrelaçamento com as histórias de vida dessa pessoa fundamentadas em crenças, conceitos e hábitos familiares como também em relação às aprendizagens realizadas a partir das inter-relações que mantém com as pessoas, o ambiente e a cultura em geral.
O sintoma é um desequilíbrio útil porque nos alerta, como também, mostra que esse desequilíbrio é uma forma de reequilíbrio para dar conta de uma modificação no corpo. É um sinal que de alguma forma atrai nossa atenção, seja física, mental ou emocionalmente. Livrar do sintoma é a primeira atitude que temos porque ninguém gosta de sentir dor, de ter algo incomodando, algo que quanto mais dói, mais nos incomoda e quanto mais nos incomoda, mais dói. É bom amenizar a dor, é importante cuidar dessa dor e, por isso, devemos sempre procurar o médico, o psicólogo, o psiquiatra. No entanto, podemos começar a ter um novo olhar sobre nossos sintomas e eles podem nos ajudar a nos conhecer melhor. Vamos fazer uma analogia: quando a luz do painel do carro acende, certamente a primeira coisa a fazer é verificar onde está o problema no carro. Se a luz não cumprir essa missão, coloca o veículo em risco. Por que motivo não agimos assim também com nosso corpo, com as luzes/sintomas que ele acende? Por que apenas nos livramos do sintoma e não vemos o que está por detrás dele? Não se está querendo afirmar aqui que não se deva cuidar logo da dor/sintoma e ir ao médico para ser medicado. Ao contrário, os terapeutas são orientados a não desestimular o uso de medicamentos, tratamentos, nem tão pouco podem orientar o cliente a usar qualquer tipo de medicamento, nem mesmo os aparentemente simples, assim como não estão aptos a fazer qualquer tipo de diagnóstico. Portanto, só podem fazê-lo os terapeutas que já possuem a devida certificação profissional na área correspondente, como por exemplo, um médico, um homeopata. O que o BodyTalk propõe é aprendermos a usar melhor a nossa intuição para ouvir o que o nosso corpo fala com aquele sintoma, aquela dor, com aquela angústia e ansiedade que ainda não estão expressas no físico. O Sistema BodyTalk está abrindo mais uma opção de tratamento para ajudar nesse processo de cura e de autoconhecimento, como também, para aprender a reconhecer os motivos pelos quais contribuímos com o surgimento ou com a manutenção da doença e da dor.
O processo natural de nosso corpo que dá sustentabilidade à filosofia do BodyTalk é o conceito sobre sua sabedoria inata. BodyTalk é uma terapia que auxilia o corpo a utilizar seus próprios recursos, a sua capacidade inata, congênita para se restabelecer e manter-se saudável em todos os níveis por diversas vezes durante o dia. Esse processo de reequilíbrio diário conhecemos por homeostase, ou seja, a capacidade do organismo de organizar seus processos físico-químicos e manter a nossa sobrevivência.
No processo da homeostase destacam-se três princípios: a comunicação, a sincronização e o equilíbrio. Esses são os três pilares que dão sustentabilidade ao objetivo da Terapia BodyTalk. Portanto, seus procedimentos terapêuticos têm como objetivo auxiliar a capacidade inata do próprio corpo em restabelecer a comunicação entre os diversos sistemas e partes do corpo, possibilitando a sincronização de suas atividades e dos diversos processos que acontecem no corpo humano de modo a equilibrar todo o complexo corpo-mente, restabelecendo a sua própria consciência saudável. Por exemplo: Para que o processo alimentar ocorra de maneira saudável é necessária a comunicação do sistema digestivo com vários outros sistemas como o respiratório e o urinário, como também necessita que a boca, a língua, os dentes e muitas outras partes do corpo exerçam suas funções adequadamente e no momento certo. Mas não é somente isso que contribui para uma digestão saudável, pois nosso corpo recebe outras informações provenientes de nossos pensamentos, emoções e comportamentos. Há um vínculo natural, um entrelaçamento de todos esses fatores que vão favorecer ou não a comunicação, a sincronia do processo digestivo e, assim, o equilíbrio do corpo.
A filosofia do Sistema BodyTalk se sustenta e tem como fundamento maior os conhecimentos da Física Quântica sobre o princípio da consciência. O conceito de Einstein de que tudo é energia veio ampliar nosso entendimento sobre consciência. Existe um padrão correspondente de informação que permite que as funções de nosso corpo ocorram, ou seja, cada parte de nosso corpo depende de um padrão correspondente de informação, cuja origem é a própria consciência. Assim, o padrão de informação do fígado é diferente do padrão do útero porque eles funcionam de maneira diferente, cada um tem a sua própria consciência de como cumprir com suas funções. Quando há harmonia nas várias funções corporais temos a saúde, ou seja, quando existe harmonia, existem vínculos saudáveis. Se há a falha, ou uma perda relativa da harmonia na consciência dessa informação, falamos de doença. Isso significa que os vínculos estão enfraquecidos e se comunicando inadequadamente. Por exemplo, quando a quantidade de açúcar em nosso corpo está para mais ou para menos e o pâncreas não exerce a sua função para o equilíbrio desse açúcar, isso significa que o pâncreas está com sua consciência em desarmonia. Ou seja, o corpo é o lugar em que a consciência se expressa e a perturbação da harmonia ocorre na consciência, no âmbito da informação e que se mostra no corpo. Quando a consciência saudável de uma pessoa se desequilibra, ela se mostra de maneira visível e palpável na forma de sintomas corporais: mentais, emocionais, espirituais. A espiritualidade que se fala aqui não tem relação com preceitos religiosos porque a espiritualidade é um estado de consciência, são os valores amorosos que cada um carrega dentro de si e que lhe dão a capacidade para discernir e agir. Gosto de falar que alguém espiritualizado é aquele que tem a capacidade de se ver como um presente para si mesmo e para a vida.
Segundo a medicina chinesa, principalmente a filosofia da acupuntura, sobre a qual o BodyTalk também se fundamenta, quando existe uma falha no fluxo da energia, por excesso ou por falta, ela compromete a harmonia, produzindo os sintomas, a dor, a doença. Isso significa que o corpo não está funcionando de acordo com a sua função, está em desarmonia e, assim, o desequilíbrio se instala. BodyTalk ajuda na capacidade daquela parte do corpo de retomar o seu aspecto sadio, mais perfeito, ou seja, ajuda na expressão da sua consciência sadia, fortalecendo, assim, a potencialidade de suas funções e processos orgânicos. Isso vale para tristeza demais, tristeza de menos, excesso ou falta de comida, de trabalho, de lazer, de respeito próprio, de respeito ao outro, de amor demais, amor de menos, compaixão demais, compaixão de menos. O corpo é uma máquina perfeita! E o melhor remédio para preservá-lo assim é o equilíbrio!
Um exemplo para elucidar esses equilíbrios da consciência: Ao passarmos por um dissabor e o nosso corpo reage com urticária, com mancha roxa, com crise alérgica, a leitura que o BodyTalk faz é que esses sinais demonstram que a nossa consciência está em desequilíbrio. Se esses sinais são provenientes de aborrecimentos, por exemplo, no trabalho e, esses aborrecimentos persistem por estarmos repletos de ressentimentos, emoções de raiva, medo, autodesvalorização, consequentemente, os sinais/sintomas também persistirão e poderão se agravar atacando com mais gravidade uma ou mais partes do corpo. E o papel do BodyTalk é justamente o de ajudar o cliente a ter consciência desse processo e a modificar essa consciência não saudável com atitudes que trarão flexibilidade de seus hábitos, de seus valores e de suas crenças.
Dentro do princípio da Física Quântica, o terapeuta é o observador, aquele que diante das diversas possibilidades trazidas pelo cliente irá identificar, usando de sua intuição, quais as partes do corpo que estão com o fluxo energético em desequilíbrio. Quando o Terapeuta está fazendo seu trabalho, certamente há uma conexão energética com o cliente, pois essa é a sua função: estar ali exclusivamente para ajudar o corpo do cliente a se recuperar. Falar de conexão energética pode parecer em um primeiro momento como algo místico ou surreal. Existem muitos relatos nos livros que falam sobre Física Quântica e todos eles falam a mesma coisa: a transmissão de energia. Estamos sempre transferindo informações em um nível inconsciente para pessoas a quem estamos ligados até de modo superficial. Isso é Física Quântica! E como ocorre em nosso dia a dia? Explicando de um modo simples, no senso comum: nós sabemos disso porque em algumas situações percebemos quando a energia de um ambiente não está boa ou quando a energia de uma pessoa está pesada, quando nos relacionamos com alguém muito estressado e acabamos também estressados. Tudo isso já sentimos, mesmo que inconscientemente, mas agora está sendo explicado e comprovado pelos físicos quânticos. Se somos capazes de perceber, de sentir energias não saudáveis e sabemos que elas muitas vezes nos fazem mal, nós também somos capazes de sentir e perceber energias positivas, saudáveis e que nos fazem somente bem. O objetivo principal do terapeuta é a cura e esse é um objetivo saudável, amoroso. Por sua vez, o cliente que procura terapia energética sabe do seu valor, deseja a sua própria cura, tem perspectiva de que isso é possível. Havendo então duas correntes positivas em conexão, certamente tudo fluirá melhor. Por isso, afirmamos que a cura é uma prerrogativa do cliente, o terapeuta não cura nada, ele apenas utiliza a técnica curativa para ajudar o corpo do próprio cliente a fazer aquilo que esse corpo não está conseguindo fazer: se autocurar!
Outro processo natural de nosso corpo utilizado como conceito no BodyTalk é o de prioridade. Exemplo: alguém tem como demanda finalizar um trabalho mesmo cansado, no entanto, o corpo está sinalizando e tem como prioridade o repouso. Prioridade é diferente de demanda. O cliente certamente procura a terapia porque tem as suas demandas, as suas necessidades mais prementes, aquelas que mais o incomodam. As demandas são importantes, mas não serão elas que conduzirão a sessão porque o foco não é o sintoma/demanda. O terapeuta não poderá ter nenhum conceito pré-estabelecido antes da sessão, pois as prioridades somente serão identificadas no transcorrer dela, por exemplo: a cliente tem feito sessão com o objetivo de conseguir lidar melhor com os problemas no seu ambiente de trabalho que estão afetando principalmente o estômago, a garganta, o joelho e a planta do pé. No entanto, em um determinado dia, ela tem aborrecimentos com o esposo na saída de casa e a prioridade identificada pelo terapeuta no momento da sessão foi para esse problema com o esposo e não para a demanda dela em relação ao trabalho.
Para ouvir/identificar as prioridades de cada cliente, o terapeuta BodyTalk conta com a técnica do biofeedback neuromuscular. Essa técnica, muito utilizada nos procedimentos da Cinesiologia Aplicada, foi readaptada para o BodyTalk com uma ligeira diferença para que pudesse ser utilizada também em pessoas que estejam mais debilitadas organicamente, sem comprometer a identificação das prioridades do corpo. Na Cinesiologia, essa técnica testa a força do músculo para se verificar como o corpo reage à ação externa. Isso se baseia em reações neurológicas que fazem com que o músculo se debilite temporariamente quando o corpo é confrontado. No BodyTalk a eficácia desse método do biofeedback neuromuscular está atrelada à capacidade do terapeuta para intuir as prioridades do cliente. Isso trás mais responsabilidades para o terapeuta porque ele estará ouvindo a sua própria intuição sobre o que ocorre com o seu cliente e o biofeedback será o fio condutor que irá auxiliar nesse reconhecimento. A eficácia desse método já está comprovada pela Cinesiologia, assim como, pela utilização pelos terapeutas BodyTalk.
Com o auxílio da técnica biofeedeback neuromuscular, o terapeuta tocará o pulso do cliente e formulará perguntas mentais, silenciosas e diretas, de maneira tal que possa identificar respostas sim e não, que virão pela própria intuição e que serão confirmadas pelo movimento do pulso do cliente de tensão ou relaxamento. As perguntas mentais contam com o auxílio de dois protocolos básicos do Sistema BodyTalk que funcionam de maneira interdependentes: o Protocolo de Procedimentos, funciona como uma bússola e direciona como caminhar no Protocolo Geral, isto é, como se fosse um mapa, onde consta o detalhamento em itens de todo o corpo humano nos níveis físico, mental, emocional, ambiental, ancestral como também de todas as técnicas/equilíbrios possíveis.
Além do toque no pulso, o terapeuta toca sutilmente a cabeça e o esterno, osso que protege o coração do cliente. Esses toques são fundamentais na aplicação de todas as técnicas do Sistema BodyTalk. Eles foram utilizados durante séculos por alguns sistemas holísticos indígenas como também no Hatha Yoga e possuem uma significação muito importante no BodyTalk. O toque no alto da cabeça simboliza tocar o cérebro, como o grande processador do corpo, para que ele processe as ligações identificadas pelo terapeuta, e assim, fortalecendo os vínculos naturais do corpo. O toque no esterno, também tem uma significação. O coração é órgão que faz a circulação de todos os nutrientes em nosso corpo, sendo assim, é aquele que possui a capacidade para armazenar e distribuir por todo o corpo aquilo que o cérebro processou. Esses dois toques se sustentam no conceito de vínculo, o processo natural do corpo. Por exemplo: Para que nosso processo digestivo ocorra de maneira plena, o fígado mantém um vínculo natural com o estômago. A palavra vínculo denota regras e obrigações, sendo assim, em nosso organismo existem regras orgânicas, uma consciência orgânica para manter essa relação de inter-funcionalidade entre o fígado e o estômogo. Assim também, ao tocar cabeça/coração, o terapeuta está reforçando a vinculação natural, a inter-funcionalidade já existente entre fígado, estômago, cérebro e coração. Temos então o vínculo como manifestação da sabedoria holística do corpo em que tudo se vincula a tudo em nosso corpo.
Cada área do conhecimento possui sua linguagem específica e no BodyTalk ocorre o mesmo. Quando o terapeuta está identificando as prioridades, ele vai tecendo uma fórmula em que constarão as partes do corpo que necessitam de ligação, ou seja, que estão com seus vínculos desequilibrados, com a comunicação deficiente. Por exemplo: o terapeuta identifica que é necessária uma ligação entre a vesícula biliar e o fígado em relação ao ducto colédoco, isso se ligará também ao estômago que apresenta uma azia e também uma emoção de carência afetiva, que se ligará ao pâncreas em relação à insulina, ao equilíbrio do açúcar, que se ligará ao coração para a melhoria do amor-próprio. Essas ligações podem ser expressas dessa maneira: [(v.biliar > fígado: ducto colédoco) > (estômago/azia: carência afetiva > pâncreas/insulina: equilíbrio do açúcar) > coração: amor-próprio)]. As prioridades identificadas formam um elo de informações, por isso, falamos de ligações. Esse elo de ligações identificado pelo terapeuta possibilitará a melhoria da comunicação entre essas partes, fortalecendo assim, a funcionalidade da consciência de cada uma delas e do que elas precisam fazer em conjunto. A consciência de cada parte identificada está em desequilíbrio e com baixa comunicação entre si. Há uma falha, uma perda relativa da harmonia na consciência dessa informação funcional em relação ao vínculo natural com o todo. O equilíbrio com BodyTalk visa o fortalecimento do vínculo natural entre essas partes.
Como são os procedimentos no atendimento? Cada terapeuta vai traçando a sua prática baseada nos seus próprios conhecimentos e vivências. A área de formação do terapeuta, os estudos e leituras que faz e os conhecimentos que traz, ajudarão na identificação das prioridades do cliente. Por isso, alguns terapeutas que têm formação na área de saúde tendem mais para os problemas fisiológicos, aqueles com formação em osteopatia, quiropraxia tenderão para a mecânica do corpo como esqueleto, músculos, articulações e aqueles que são da área de psicologia ou que estudam sobre o emocional humano, tenderão para o lado emocional e de relacionamentos. Falo de tendência e não falo de rigidez, pois todos os terapeutas estão em condições de caminhar por todo o protocolo de maneira diversificada. Cada terapeuta dará aquilo que tem como conhecimento porque é com sua intuição que ele trabalha e ela funciona em conjunção com a parte mais lógica de nosso cérebro onde são processados os conhecimentos. Por isso, os exemplos apresentados neste texto e os procedimentos práticos na clínica fazem parte da minha experiência como Terapeuta BodyTalk desde 2009, e que estão baseados nas minhas vivências como Psicopedadoga e em todos os conhecimentos adquiridos nas outras áreas de formação acadêmica, como também nos meus estudos continuados.
Inicio o atendimento ouvindo o relato do cliente para saber quais são suas demandas e suas histórias de vida. O registro dessas demandas irá ajudar no acompanhamento evolutivo do cliente, como também favorecerá um tratamento mais focado naquilo que o cliente foi procurar: a cura de um problema específico de saúde. No entanto, somente durante a sessão é que o terapeuta terá condições de identificar quais as partes do corpo que estão envolvidas com os problemas relatados pelo cliente e quais questões estão por detrás. Por exemplo, um problema de impotência masculina pode não estar diretamente relacionado à disfunção do próprio órgão, e sim, ao que está por detrás desse sintoma, como por exemplo, à dificuldade ou incapacidade de se colocar, de se impor, de ter suas atitudes, ações e decisões aceitas e respeitadas pelo outro no ambiente de trabalho. Por isso, é indispensável que o terapeuta se mantenha neutro, sem ter pensamentos pré-determinados antes da sessão.
Normalmente, em meu espaço a terapia é realizada sobre uma maca onde o cliente permanecerá deitado de 15 a 30 minutos, preferencialmente de barriga para cima, em atitude relaxada, podendo inclusive dormir, já que isso não prejudicará a sessão. Como preparação, utilizo a aplicação da primeira técnica do BodyTalk denominada córtices juntamente com respiração dirigida por mim. Essa técnica permite que o cliente relaxe e fique mais receptivo à sessão e a respiração ajuda na circulação da energia. Como tenho formação em Reiki e em Meditação Vipassana também uso músicas específicas e adequadas a esse momento. Utilizo a técnica biofeedback neuromuscular de maneira bastante leve e sutil, e apoiada na minha intuição identifico quais as prioridades com o auxílio dos diversos protocolos do BodyTalk e outros protocolos auxiliares que desenvolvi com base em meus estudos na área da Metafísica da Saúde. Se necessário, durante o transcorrer da sessão, converso com o cliente em busca de informações complementares. No momento da implementação de cada técnica, às vezes é necessária a participação do cliente para que ele coloque as próprias mãos em uma determinada parte de seu corpo enquanto faço os toques na cabeça e no coração.
Não é práxis na terapia o registro da sessão, no entanto, trouxe essa prática de minhas atividades como Psicopedagoga e, esse registro me permite ser mais pontual em minhas explicações ao cliente. Também adotei o uso de prontuários individuais, o que possibilita a cada cliente receber por e-mail o relato de suas sessões, bem como, de ter um histórico de seu percurso de evolução. Todos os meus clientes aprovam esse método e costumam ler com interesse os relatórios enviados. Essa leitura, segundo depoimento dos próprios clientes, os beneficia na ampliação da sua consciência. O registro das sessões vëm ganhando cada vez mais adeptos porque ele viabilizará futuros estudos de casos para o fortalecimento e reconhecimento dessa prática terapêutica tão eficaz.
Após a aplicação da técnica, explico ao cliente as ligações que foram identificadas. Costumo fazer a analogia dessa explicação como um jogo de quebra-cabeças em que vou entregando ao cliente as peças para que ele monte as suas próprias significações, para dar o seu sentido e no seu tempo. Esse método tem apresentado resultados muito significativos porque coloca o cliente numa posição de autor da própria mudança que ele deseja e veio buscar, porque permite a ampliação da própria consciência que abre novas perspectivas de se olhar e olhar a vida. No entanto, as questões identificadas e relatadas podem, algumas vezes, não fazer sentido para o cliente, mas esse não é fator imprescindível para que a técnica funcione porque crianças e pessoas muito velhas e debilitadas não necessitam ouvir ou entender. Essa compreensão ou significação poderá ocorrer somente após alguns dias ou após algumas sessões quando o entendimento virá a partir da correlação com os assuntos que vão surgindo a cada sessão com os já trabalhados.
O biofeedback neuromuscular e a intuição também permitem identificar, antes de finalizar a aplicação da técnica, o dia da próxima sessão do cliente. O retorno é identificado a cada sessão, por isso, não há como dizer com antecedência quantas sessões cada pessoa necessitará. Na minha prática, costumo estar atenta ao tempo do cliente em relação a sua própria percepção sobre sua evolução. Procuro ouvi-lo nas suas demandas em relação ao retorno levando em conta a sua evolução, a sua disponibilidade de tempo, e adequação as suas condições financeiras. Outro ponto é a questão da alta do cliente. Na Psicopedagogia a alta era uma decisão minha em conjunto com os pais e a escola. No meu trabalho como terapeuta BodyTalk considero a alta uma prerrogativa do cliente, pois eu procuro deixá-lo à vontade para decidir isso no momento em que ele achar mais adequado. No entanto, muitos clientes adotam o BodyTalk como um tratamento constante em suas vidas, e assim, permanecem por mais tempo porque percebem a necessidade de modificar outros padrões de comportamentos e esses encontros começam a se espaçar a cada 15 dias, uma vez por mês ou a cada dois meses.
BodyTalk é um sistema relativamente novo no mundo, e em minha prática já conto com o reconhecimento e o encaminhamento por médicos de diversas especialidades, psicólogos, psiquiatras. Sua difusão tem sido progressiva graças ao apoio de importantes veículos de comunicação, especialmente jornais, revistas, televisão, e redes sociais, assim como em palestras internacionais que tratam do desenvolvimento e entrelaçamento das terapias energéticas com a Física Quântica realizadas pelo próprio criador do sistema.
Esse sistema foi idealizado em meados de 1990 pelo Dr. John Veltheim – Quiroprata, Acupunturista, Reikiano, Filósofo e autor de vários livros. Foi Reitor da Universidade de Acupuntura e Terapias Naturais de Brismane, na Austrália. Seus estudos de Pós-graduação são em Cinesiologia Aplicada, Psicologia Clínica, Terapia Bioenergética, Osteopatia, Medicina Esportiva, Filosofia e Teologia.
O BodyTalk chegou no Brasil em 2003, no Rio de Janeiro e, em Brasília, em março de 2009 e está em plena expansão. Conta com Terapeutas Certificados e capacitados e exercem a atividade profissionalmente nas capitais: Brasília, Goiânia, Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre e Cuiabá e nas cidades de Niterói, Teresópolis, Campinas, Ribeirão Preto.
Os cursos são ministrados no Brasil por instrutores internacionais que periodicamente vêm dos Estados Unidos, como também por instrutor brasileiro. A grade curricular é ampla, composta de vários módulos e de cursos complementares, e a formação e qualificação do Terapeuta são realizadas de forma criteriosa e profissional e qualquer pessoa pode se habilitar. Para aqueles que não desejam ser terapeutas, mas apreciam a terapia, existe o Curso Access em que são ensinadas cinco técnicas do próprio Sistema BodyTalk que permite a autoaplicação em apenas 10 minutos. No Canadá e na Alemanha existe projeto para que o BodyTalk se transforme em Curso de Graduação.
Inicialmente, após os módulos I e II que são administrados em conjunto, o estudante começa a sua prática com familiares, parentes, amigos e em trabalho voluntário para que possa assimilar as técnicas aprendidas. Essa prática é sustentada por grupos de estudo com terapeutas profissionais certificados e conta com a supervisão do instrutor do curso. Como aluno poderá se associar à IBA, Associação Internacional de BodyTalk. Após essa etapa, o estudante poderá fazer sua certificação internacional que compreende prova escrita, oral e prática. Somente após a certificação o estudante poderá exercer a atividade profissionalmente e seu nome constará da relação de Terapeutas Certificados BodyTalk, CBP, no site www.bodytalksystem.com., onde terá sua foto e seu currículo publicados.
O que BodyTalk faz por cada um de nós?
Abre possibilidades de vida saudável, nos ensina principalmente a ouvir e a sentir os sinais do nosso corpo e, assim, a cuidar melhor de nossa saúde. Nos dá a oportunidade de ampliarmos nossa consciência para ver a vida por muitos outros ângulos, aprendendo que flexibilizar nossas crenças, nossos conceitos e nossos hábitos é a melhor forma de viver de forma saudável e de se desenvolver espiritualmente. Com o BodyTalk somos capazes de abraçar a própria vida e conduzi-la de maneira mais leve e serena porque passamos a sentir a necessidade de diminuir o controle sobre tudo e sobre todos. Começamos a respeitar nossos limites pessoais na relação com o outro e os limites do outro, como também passamos a respeitar a nossa história de vida, a história de nossos pais, de nossa família e a história pessoal de cada um porque sentimos que tudo é energia e, assim, sabemos que estamos ligados a todos e a tudo. Aprendemos a aceitar o ritmo da vida, a desapegar de preocupações excessivas do dia a dia e do futuro, desapegar de nosso passado, das nossas tristezas, das nossas dores. Ao termos a oportunidade de ampliar a consciência com o BodyTalk, passamos a perceber nossa vida como um presente que nos foi dado para ser vivida em toda a sua plenitude e na medida certa. Equilíbrio é a palavra chave do BodyTalk.
Mariângela de Paiva Oliveira Gonçalves é Terapeuta BodyTalk, certificada em 2011, tendo realizado cursos avançados na área. Tem formação em Reiki I, II e III , curso de Meditação Vipassana e cursos básicos e avançados do Silva Mind Control Method. Tem formação em Jornalismo, Relações Públicas, Letras/Espanhol e pós-graduação em Psicopedagogia e Língua Portuguesa. Endereço: SGAN Quadra 607, L 2 Norte, Edifício Brasília Medical Center, Conjunto A, Bloco B, sala 219, Brasília-DF. Contato
pelo email: mariangela.bt@gmail.com, pelo facebook na página Sintonia do Corpo Terapia BodyTalk e no Site www.sintoniadocorpoterapia.com.br.
Bibliografia de Apoio Teórico:
-Veltheim, John e Veltheim, Esther. Manuais Pedagógicos de BodyTalk: The BodyTalk System e Beyond Concepts, the Investigation of Who You are Not (ISBN 0-9645944-8x).
-Dethlefsen, Thorwald e Dahlke, Rüdiger. A Doença Como Caminho. Tradução: Schild, Zilda Hutchinson. São Paulo, Editora Pensamento-Cultrix Ltda, 2014.
-Loyd, Dr. Alexander, Ph.D e Johnson, Dr. Ben. O Código da Cura. Tradução: Fernandes, Maria Clara De Biase W., Rio de Janeiro, Editora BestSeller, 2013.
-Gerber, Richard. Medicina Vibracional, Uma Medicina para o Futuro. Tradução: Oliveira, -Paulo Cesar de, São Paulo, Editora Pensamento-Cultrix Ltda, 2012.
-Goswami, Dr. Amit. A Física da Alma. Tradução: Borges, Marcello. São Paulo, Editora Aleph, 2009.
-Goswami, Dr. Amit. O Médico Quântico. Tradução: Calloni, Euclides Luiz e Wosgrau, Cleusa Margô. São Paulo, Editora Pensamento-Cultrix, 2009.
-Lipton, Bruce H. A Biologia da Crença. Tradução: Vick, Yma. São Paulo, Editora Butterfly, 2007.
-Valcapelli e Gasparetto. Metafísica da Saúde, vol. 1,2,3,4. São Paulo, Centro de Estudos Vida e Consciência Editora Ltda, 2004.
-Dahlke, Rüdiger. A Doença como Linguagem da Alma. Tradução: Pignatari, Dante. São Paulo, Editora Pensamento-Cultrix, 2002.